sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

My life

Confesso que nunca quis aceitar aquela situação. Sorria para disfarçar meu estado emocional. Mas vê-la daquele jeito era de cortar o coração. Fiquei imóvel ao saber que ela apenas respirava por causa daquele tubo de oxigênio que trazia-lhe ar e mantinha-na viva. Mas nem sempre foi assim. 

Estou com saudade dos dias que ela riu comigo das brincadeiras idiotas que eu mesmo fazia. Eu era feliz. Sempre achava errado sentir-me bravo com alguma situação que ela julgava não estar certa. Afinal, ela sempre quis meu bem. Pena que minha pouca idade nunca pode ver isso como um bem e sempre como um ato de impedir que eu pudesse fazer qualquer coisa que me fizesse feliz. Não fui um exemplo de perfeição, mas diante das outras crianças eu era considerado um menino que toda mãe desejara. Calmo, não gostava de sair para lugar barulhentos, ajudava nos afazeres domésticos e era um cristão que mantinha sempre o vínculo com a igreja. Lembrando que foi ela que me apresentou a igreja.

Hoje não tenho mais aquele sorriso nos lábios que eu costumava ter. Sorrir para disfarçar essa dor é o que eu faço. Mas lembro muito bem que um dia antes de seu aniversário ouvi uma frase que nunca esperaria ouvir, principalmente dela, "Você já é o presente que Deus me deu". Fiquei feliz, pois diante dessa situação eu não esperava tamanha frase que me tocaria para o resto da vida. Digamos que ela nunca foi aquela pessoa que demonstrava tamanho afeto diante das minhas ações, era sempre mais reservada, mas eu sabia que estaria ali para me defender do que ela julgasse ameaçador, um "amor de mãe".

Estou sentindo saudades até hoje. Entendo o porque dizia que se um dia chegasse a partir dessa vida para outra, minha vida mudaria completamente. E mudou.

Talvez eu não tenha mais coragem de entrar no cemitério e ver aquele túmulo encoberto pela terra e flores que foram jogadas no dia de seu enterro. Chorei. Lágrimas eram migalhas perto do riacho que escorria de meus olhos. Mas até hoje me arrependo de uma só coisa. De nunca ter lhe dado um beijo no rosto quando estava naquele hospital. Creio que abraços e sorrisos estonteantes nunca foram o necessário.

Deus estava certo em me deixar aquele dia preso com ela naquele hospital, (mas outro dia continuo sobre esse assunto) me senti tão culpado por querer ir embora o mais rápido possível para não sofrer mais.

Só Deus sabe como me senti quando meu padrinho pediu para mim dizer algumas palavras sobre o que ela significou em minha vida. Chorei mais ainda. Mas enfim consegui dizer: "Eu não considero ela para mim como uma AVÓ, mas sim como uma MÃE".

2 comentários:

  1. Adorei o texto...vc escreve muito bem.Texto bem escrito,bem estruturado...adorei...continue assim :D

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