sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Eu, Apenas Eu e o Observador


Estava lá sentado naquela tarde de agosto sem ter o que fazer, o dia estava um tédio total e eu estava olhando para a rua procurando algo. “O começo de uma nova vida” – minha primeira experiência com a escrita, primeiro livro – eu já havia finalizado e procurava algo a mais para ser feito, ver aquele primeiro livro pronto me enchia de orgulho de mim mesmo, o coração pulsava mais forte e a vida começava a ter sentido, finalmente eu podia me considerar um escritor. Lógico que um livro finalizado não conta exatamente todas as experiências que você teve ao longo de sua vida e nem as decepções que a vida acabara lhe trazendo com o tempo, mas serviria de auxilio para uma próxima jornada. E quando digo próxima, era próxima mesmo, terminei o livro e uma semana depois estava com a cabeça cheia de ideias para um próximo. Vários temas vinham em minha mente, mas desta vez eu estava com um dilema, queria escrever algo bem diferente de “O começo de uma nova vida” e coloquei-me a pensar. Seria necessário um “Dejá vú” para retornar e ver o que tinha feito de errado e agora não cometer os mesmos erros. Empenhei-me e coloquei-me a pensar cada vez mais sobre o que tinha escrito e sobre o que eu precisarei fazer para que esse livro ao terminar eu dissesse que estava perfeito.

Continuei sentado e olhando para a rua, estava um dia calmo e as pessoas passavam de um lado para o outro sem darem a mínima importância a minha presença que as espreitava ali pelos vãos que havia no portão. A mente continuava um turbilhão de ideias e como se já não fosse muito constrangedor estar ali parado, ocorreu-me que eu comecei a pensar em uma situação como se fosse outra pessoa. Pensei comigo mesmo: “Como seria escrever sobre a vida dos outros? Observar sua rotina, saber do que fazem e como se sentem interiormente, saber como é o seu dia a dia do ponto de vida delas, e quem sabe poder ler seu diário.” – Nesse momento me senti outra pessoa, senti que estava preparado mais do que nunca para sentar e escrever um livro que tivesse essas características. A esse personagem eu dei o nome de Observador – Somente quem é escritor ou quem saiba interpretar a literatura sabe do que eu estou falando, é uma sensação que não consigo descrever por meio de palavras. Só sei que naquele momento estava eu e o observador preparados para sentar e escrever.

Pois bem, dei início ao título do livro, homenageando essa dupla personalidade de escritor que havia me aparecido, deixei o nome de: “O observador”. Tudo fluiu de uma forma suave e tranquila. Estranhei. Nunca havia escrito com tanta comodidade e tranquilidade algo. Escrevi o primeiro capítulo e quando terminei revisei-o com os olhos e me senti um Augusto Cury ou então uma Eliane Brum, estava perfeito, era o que eu pretendia escrever de uma forma que eu precisava sentir. Estava ali naquelas palavras eu e o observador. Um capítulo com meus dons de escrita, mas com a junção do toque especial e analítico que só o observador poderia acrescentar. Mas estava faltando algo. Estava faltando um pedaço meu naquela narração. Revisei-o novamente e acrescentei o que eu sentia de uma forma de observação do meu ponto de vista, e foi aí que eu descobri que “Apenas eu”, era outro lado meu por meio de sentimentos toda vez que eu escrevia. Passei a tarde toda escrevendo, Eu, Apenas eu e o Observador.

Não terminei o livro ainda, mas descobri que quando se escreve você pode ser quem você quiser. Pode ser mocinho, pode ser vilão, pode ser bruxa, pode ser a bela, pode ser o esperto, pode ser o engraçado, pode ser o que bem quiser, basta dar asas a imaginação. Hoje ainda continuo a escrever e não pretendo parar nunca. Posso estar com meus cem anos e continuarei escrevendo, mesmo que as mãos trêmulas me impossibilitem um pouco, mas nada que eu não faça com amor e perseverança. Pois quem quer, corre atrás. E quem corre atrás, alcança.

Hoje sempre me sento para escrever aonde tudo começou, olhando para a rua. Pois sei que em cada parágrafo eu deixarei uma marca do que eu sou. Pois no momento existe, Eu, Apenas eu e o Observador
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