sábado, 16 de fevereiro de 2013

Mundo ilusório...


Flores por todos os lados e pétalas a se esfumaçarem como cigarro. Era um jardim repleto de borboletas e joaninhas que estavam virando cadáveres a mercê da menina que não podia fazer nada para ajudá-las. Espantada com o que estava havendo, correu para dentro de casa e se trancou, olhava apenas pelo vidro da janela o mundo se decompor. A pequena sonhadora achou que tudo estava perdido, mas ao longe avistou no muro de trepadeiras mortas um livro, ficou com um pouco de receio de sair. Tomou coragem e foi até lá.

No caminho, tudo perdendo-se a cor natural e tornando-se escuro e opaco. Ainda espantada com o seu derredor continuou a caminhar e viu que o céu não era mais límpido e compassivo, agora estava manchado de preto e as nuvens pareciam se desfigurar diante da realidade. O sol se pôs e nem a lua surgiu. Estava tudo repleto de medo e desespero. Ao se aproximar do muro pegou o livro e voltou imediatamente para casa que estava intacta de qualquer problema ou mal que tentasse adentrar. A macieira estava seca, no entanto, seus frutos estavam lá intocáveis, não sofreram nenhum mal, o mesmo ocorreu com a laranjeira e o limoeiro.

Ao entrar em casa andou cômodo por cômodo e não achou ninguém, todos haviam sumido. Estava tudo escuro e a única luz que adentrava na casa era pela pequena janela que dava acesso ao que um dia havia sido um jardim. Com medo e assustada sentou-se ao chão e abriu o livro de capa envelhecida e folhas amareladas pelo tempo. O livro era relevante e viu que se tratava de um conto de fadas e pôs-se a ler, entretanto não confiante que teria um final feliz. O livro não estava ajudando a animar a situação. Lá fora só se ouvia o ruído do vento e dentro da casa o livro a ser folheado. O frio estava sucumbindo as paredes e tudo parecia mais gélido e vazio. Menos o coração da menina que ainda batia por alguém.

A cada passar de página os olhos se enchiam mais de água e as lágrimas escorriam daquele rosto apagado e o pó já estava pousando sobre ela. O tempo parecia não estar dando trégua para a pequena sonhadora de coração pulsante e mente perspicaz. O piano da sala estava sendo devorado pelos cupins e as notas pareciam sair desafinadas cada vez que tocadas. O folhear de páginas estava ritmado ao coração e as vozes eram mudas. Mas o livro ainda estava ali e cansada de ler algo que nunca estaria na vida real atirou o livro longe. Levantou-se e saiu, estava decidida a encontrar o real motivo de ainda sentir seu coração pulsar... Queria saber porque ainda existiam coisas que não foram levadas pela escuridão e nem apagadas pelo tempo. E saiu atrás de respostas...

Nesse momento na vida real, o garoto cansado de ler contos inúteis de finais felizes e princesas que nunca apareceriam, atirou o livro longe e saiu de seu quarto, foi ver o que havia mudado em seu jardim que estava escuro e opaco, com borboletas e joaninhas mortas por todos os lados, flores a se esfumaçarem e a macieira que ainda preservava seus frutos e a laranjeira e o limoeiro que ainda mantinham-se na mesma situação. Foi até o muro cheio de trepadeiras mortas e ao longe avistou uma menina de vestido empoeirado e cabelo a desejar ser penteado. Forçou a vista para vê-la, mas viu que ela simplesmente saiu andando...

(O real motivo dessa narração foi passar um sentimento, espero que as mentes mais aptas ou os corações mais fervorosos entendam. Escrevi ouvindo Try - P!nk. Uma pequena noção sobre o que seria).

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