terça-feira, 16 de abril de 2013

4 Paredes

"Esperar aqui em silêncio dentro de mim é angustiante demais para me considerar um escritor." – Christopher Duarte. 

Ao olhar ao meu redor, vejo que estou preso em mim mesmo. Estou de frente para um piano e as notas estão vazias, sem harmonia e sem ligação entre elas. As cordas do piano estão me sufocando com os sons aterrorizantes que saltam de seu interior e chegam ao meu ouvido como doces mentiras. Nada que um leve beijo da verdade não cure, mas ainda insisto na mentira, pois ela aparenta ser o que me agrada mais. Por enquanto. 
O Céu é límpido o bastante para da fresta da janela eu ver que fora de mim existe uma pessoa feliz e radiante. Falsa. Mas que todos ao seu redor já estão acostumados com seus belos sorrisos e sua forma simplória de transmitir alegria por onde quer que passe. E infelizmente isso vem se repetindo gradativamente, virou um hobbie se sentir bem, mesmo não estando, para fazer da vida dos que o cercam um “mar de alegrias”. 
Entretanto, ainda continuo aqui dentro de mim, de frente para o piano que não soa belas melodias. Estou à procura de algo que possa saciar o que meu coração clama por paz, mas dessa paz o que ele deseja está em falta no que me agrada, preciso procurar em alguém esse conectivo para que eu possa me fazer radiante tanto por fora quanto por dentro. Conectivo que por anos vem sendo falho. Tantos anos de amor aos outros que esqueci de amar a mim mesmo e deixei a melodia dentro de mim aos poucos ir se acabando, fazendo de mim uma pessoa inteiramente incompleta. 
Pretendo fugir de dentro de mim assim que possível, pois não consigo mais sozinho aturar essa carência que bate ao lado do meu coração e esses sentimentos que soam aos meus ouvidos como rejeição. Está tudo tão escuro e frio que a luz no final do túnel não me chama tanto atenção quanto à luz do teu olhar. Ainda fico pensando no que seria de mim se eu realmente parasse e ouvisse o que grita lá dentro. Desespero! Angústia! Solidão! Medo! 
O dia nasce novamente, e as pessoas correm em direção a mim para sorrirem e darem gargalhadas estonteantes e sem tempo para terminar, visto que poucos são as que notam que seu interior anda meio abatido, incompleto, febril... Mas ainda sim continuo sorrindo... Até que... 
Tudo deixa de ser belo, o piano te sufoca, a melodia é destruída e o seu interior pede ajuda. Sim, pede ajuda. E você simplesmente abre a porta do exterior e entra, deixando seu interior sozinho consigo mesmo. Trancando-o em 4 paredes e simplesmente DEIXANDO DE AMAR.

2 comentários:

  1. a escrita é algo que nos define ... bom sejamos nós mesmos com ou sem expectativas boas ou ruins.

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