sábado, 20 de abril de 2013

Eu sei...

"Diga-me suas dores que espantarei-as com alegria de um largo sorriso que não mostra apenas felicidade, mas sim uma vida inteira de dores que compartilharemos." - Christopher Duarte.


Está frio lá fora e recuso-me a debruçar sobre o parapeito gelado da varanda para avistar ao fim da rua a casa que me faz suspirar por longos minutos e invadir minha mente com pensamentos amorosos. Não é uma simples casa, mas sim onde mora a pessoa que fez minha vida inteira ser apagada por um simples olhar que veio a me dar. E com esse simples olhar, veio uma amnésia que apagou todas as experiências sofridas que carreguei ao longo do tempo, me fazendo esquecer que o coração só bate por pessoas erradas.
Vejo-me todos os dias obrigado a fazer esse ritual de me debruçar sobre o parapeito e ficar por longos minutos esperando que sua ilustre presença apareça, fazendo com que meu coração salte de alegria e o cérebro diga: TOLO. Entretanto, essa rivalidade entre os dois já não é de hoje. Continuo olhando e torcendo para que hoje seja diferente, espero que não fique apenas no olhar, mas que se torne palavras, gestos, atitudes. Mas infelizmente nunca é assim, e no fundo eu sei que nunca será. Coloco esperanças em um carro desgovernado que irá bater direto em meu coração, abrindo mais uma ferida que não cicatrizará.
Já me disseram que isso não tem futuro. Eu sei! Já me disseram que estou perdendo tempo de minha vida com bobeira. Eu sei! Já me disseram que só vou me machucar mais. Eu sei, sim, eu sei. 
Estou com  aquela sensação interior de mudança: A partir de amanhã não vou mais me debruçar sobre o parapeito, vou poupar meu coração de uma dor futura. Estou com aquela sensação de desapego: Não vou mais me condenar olhando o que me machuca interiormente. Estou com aquela perseverança: Amanhã será diferente, levantarei e não amarei mais o que me destrói. Estou com aquela sensação de medo: Não vou aguentar encarar, não vou conseguir me segurar, não vou conseguir viver longe da pessoa que amo. Estou com aquela sensação de que dessa vez tudo vai dar errado como das outra vezes: Sim, eu sei.
Estou com medo do desconhecido, do longe, do distante, do escuro. Estou com medo de não ser feliz a longo tempo e que isso venha me custar algo que prezo como base para ser eu mesmo: Minha voz. Estou com medo de ficar calado e sozinho, mesmo tendo amigos, entretanto, eles não me entenderiam mesmo que eu explicasse tal medo. Estou com medo do meu medo.
O parapeito da varanda continua gélido o bastante para eu não lhe tocar. Talvez seja uma forma de Deus estar intervindo em minha vida configurando e atualizando o que eu deletei a muito tempo. Deletei minhas tristezas, minhas angústias, meus erros, minhas mentiras, mas acima de tudo: meus ensinamentos. Estou aprendendo a lidar com essa situação, relembrando tudo o que vivi para aplicar no presente de forma sábia. Estou também procurando me afastar do parapeito para impedir tal dor. Dor que me causou medo.
Meu coração está dividido, parte dele está certo que estou errado e a outra parte está certa que estou certo.  Mas uma coisa meu coração não sabe, medos me impossibilitam de prosseguir, onde cada erro faz eu dar dois passo para trás regressando no meu objetivo. 
Ainda está frio lá fora e o parapeito da varanda continua gelado o bastante para eu não lhe tocar. Estarei errado se novamente eu me debruçar para sofrer. Sim, eu sei.

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