quarta-feira, 10 de abril de 2013

Um simples: "obrigado"

Ainda estou pensando naquele rosto tristonho e cabisbaixo que hoje me fez parar para pensar.
Tinha acabado de voltar da creche onde havia buscado minha irmã de dois anos e estava sentado no sofá assistindo TV como faço todos os dias, e ouvi um bater de palmas no portão, levantei e entreabri a porta que dava acesso a garagem, e avistei no portão uma moça de olhar tristonho e cabeça baixa que disse em voz baixa:
- Moço, o senhor não teria algum alimento "pra" me dar para eu poder alimentar minha filha?
Confesso que fiquei sem reação e na mesma hora meu coração apertou, estava disposto a fazer algo, mas parecia que a situação havia me assustado de tal forma que a única reação que tive fui concordar com a cabeça e entrar para dentro.
Vi minha irmã no sofá e pensei no que a moça havia me dito, dirigi-me a cozinha e abri o armário. Fiquei pensativo por um tempo, pois todas as vezes que alguém vinha pedir algo em casa, era minha mãe que atendia e levava a pessoa o que "achasse ser o necessário" para ela. Mas dessa vez foi diferente, ela não estava em casa, e a moça não ficaria muito tempo me esperando lá fora, acabei pegando sem pensar uma embalagem de óleo e um pacote de macarrão. Quando abri a porta vi que ela ainda permanecia lá fora imóvel esperando que eu voltasse com algo que pudesse ajudá-la. Entreguei os alimentos pelas frestas do próprio portão.
Ela pegou os alimentos e colocou dentro da caixa que estava ao seu lado e disse:
- Muito obrigado moço, Que Deus te abençoe.
- Amém! - Respondi com a cabeça baixa e voltando para dentro e pensando na situação. 
- Moço você tem alguma roupinha da sua filha para me dar? - Ela achou que minha irmã era minha filha, talvez pelo meu tamanho. Fiquei mudo por um instante, e logo em seguida respondi: 
- Não tenho não moça. - Nessa mesma hora vi que ela apenas abaixou a cabeça e seguiu seu caminho para pedir alimentos na vizinhança.
Entretanto, uma situação me deixou indignado, a moça ao chegar na minha vizinha foi recebida de uma forma um pouco agressiva, ao pedir alimentos ela disse em alto tom a moça: 
- Moça essa casa está alugada não tem ninguém morando aí.
- Qualquer alimento serve! - Insistiu a moça que pedia alimento. 
- Já disse que não tem, está para alugar. - E saiu andando sem dar atenção aquela "pobre criatura" que estava ali por uma boa causa. 
Entrei para dentro e coloquei-me a pensar. Mas nada que fosse concreto o bastante para eu poder opinar. Posso dizer que me senti estranho, um aperto no coração, uma sensação estranha. E ao sentar ao sofá e ver minha irmã deitada assistindo, não parava de pensar no que a mulher havia me dito. 
Mas acredito que de alguma forma essa atitude minha vai ajudá-la de alguma forma, para mim pode ter significado um simples alimento, mas para ela, com certeza significou muito mais do que isso. E aquele simples: "OBRIGADO" ficou marcado, para ela pode ter sido uma simples forma de agradecer, mas para mim foi muito mais que isso.

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