sábado, 1 de junho de 2013

Ainda existe algo aqui dentro

"É tudo tão igual antes. Mas mesmo assim eu ainda persisto no igual de antes." - Christopher Duarte.

Estava sóbrio das ilusões. Estava agora em cima de um alto penhasco e procurava sentido para minha vida. Sentei ao chão e de lá pude observar a cidade, calma e reluzente, assim como era meu coração antes de se apaixonar. O vento era forte e a noite encobria o céu como um abraço de um amigo na hora necessária. Estava com frio, mas entrelaçando meus braços sobre o joelho continuei a observar esperando que hoje fosse diferente.
A cidade continuava calma e o soprar do vento uivava ao passar pelas árvores. Estava esperando que alguma palavra amiga me desse consolo naquele momento, pois eu mesmo sabia que estava ali porque eu havia escolhido aquilo. Escolhi acreditar na "pessoa amada", nunca duvidar de suas promessas eternas e permanecer sempre ao seu lado para todo o sempre. Irônico, entretanto eu sei que para todo o sempre é muito pouco tempo, visando dizer que durou menos do que o esperado.
Ficaram algumas mágoas, mas nos dias atuais vejo que tudo isso apenas me serviu de experiência e de certa forma como um artifício para não envolver-me com mais ninguém. Talvez ficar só fosse apenas uma breve introdução de meu livro da vida em que o capítulo final apenas Deus saberá escrever e dizer onde o último ponto final deverá entrar. 
O penhasco se faz cada vez mais alto e ainda me vejo olhando para baixo vendo se as atuais circunstâncias valiam o esforço de se lançar. Continuei sentado e avistava a casa de meu verdadeiro sentido de vida. Sentido de vida que me causou estar aqui sentado pensativo, mas eu sabia que após esses desafios que tive que passar só eu ainda amava. Amava "masoquistamente" o que me fez passar noites em claro aos prantos e dias não-produtivos por conta de manter minha mente longe o bastante da realidade, pensando apenas em você. E você nesse mesmo momento apenas se importando com qual filme assistiria.
As vezes caía a ficha de que amor é algo só para os verdadeiros escolhidos. Escolhidos à dedo por outras pessoas que também as amavam e faziam do amor um sentimento incrivelmente inexplicável de tão grande e infinito que pudesse significar. Entretanto, meu caso era amar quem nunca me amou e nem amaria. Esperar que o "Era uma vez..." se tornasse realidade nem que fosse apenas uma vez. Pedir quase implorando à Deus que fosse notado e fosse correspondido era diário, nunca aconteceu nada, apenas via tudo se afastar.
Minhas mãos estavam se tornando incrivelmente calejadas pelos fardos de angústias que começavam a pesar. Estou vendo o penhasco apenas aumentar, cada vez mais alto, o oxigênio quase nem notava-se. Levantei-me e coloquei-me em direção a ponta do penhasco, onde a terra estava prestes a ceder. Fechei os olhos e abri os braços, o vento estava cada vez mais forte e a cidade ainda continuava calma onde a noite apenas encobria o imperceptível. Com apenas uma leve inclinação me lancei...
Abri os olhos e estava sentado no chão do pátio da escola e percebi que tudo o que houvera naquele instante era dentro de mim. E que aqueles sentimentos pediam para sair. Fechei esse capítulo e não compartilhei-o com ninguém. Mas eu sei que ainda existe algo aqui dentro. Bem lá no fundo, por mais radiante que eu pareça ser. Ainda existe algo lá dentro...

2 comentários:

  1. Nossa Chris está espetacular!!!Amei muito.
    Pra quem realmente entende e te compreende,fico até sem palavras.É isso ai,você vem desbloqueando cada vez mais grandes barreiras,e conseguiu alcançar seu objetivo.Parabéns de coração,você merece!!!Super orgulhosa de ti.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado pelos elogios Ianca. Venho cada dia mais procurando me aperfeiçoar e melhorar minha maneira de escrever ^^

      Excluir