quarta-feira, 19 de junho de 2013

Impróprio para entender... (avó).


"Intocável manhã que levaste o bem mais precioso do meu ser. Deite-se, torne-se noite e amanheça novamente com belas notícias." - Christopher Duarte.


Era mais uma manhã como todas as outras. Fria, calma e neblinosa. Mas as preocupações estavam voltadas diretamente para mim, para a pessoa que mais importava em sua vida. Estava tudo nos conformes, visto que sempre me considerei responsável desde muito cedo. Sendo um raro menino prendado e com uma mente perspicaz o bastante para interpretar o que é certo ou errado. Mas mesmo assim ainda se preocupava comigo; se eu estava me alimentando, me vestindo bem, dormindo bem, vivendo bem.
Hipócrita era minha reação, não suportava ir vê-la para não ter que encontrá-la de cabeça baixa e olhos brilhantes a serem levemente abaixados quando se via diante de minha presença. Era algo realmente constrangedor, ficava paralisado e ao mesmo tempo sem reação. Senti muito essa falta que havia em casa. Não estava lá para conversamos, rirmos, vivermos; entretanto estava em cima de uma maca de hospital na Santa Casa de São Carlos esperando por um milagre. Milagre que até hoje ainda espero.
Era sorridente e descabível de emoções que a abalassem facilmente, fazia vista grossa diante das grosserias e apenas se importava com o que fazer com minha pessoa se viesse um dia à faltar em minha vida. Eram longas as conversas sobre esse assunto, mas digamos que nunca dei importância por conta de meu ser não querer que aquilo acontecesse. Mas já passei noites em claro aos prantos pensando se algo realmente acontecesse. 
Ainda continuava internada esperando por um milagre, mas Deus já tinha um propósito. Minhas visitas sempre foram semanais e não muito duráveis por conta do pouco tempo estipulado pelo próprio hospital. Mas nesse pouco tempo as risadas eram sempre contagiantes e faziam do meu coração um circo, onde apenas grandes gargalhadas ressurgiam de lá de dentro. Era uma situação linda, mas interrompida sempre por uma enfermeira pedindo para que se retirasse pois o "pouco" tempo que tínhamos havia terminado.
Não estava só. Estava acompanhada pela sua filha (minha tia). Mas mesmo assim desejava que eu ficasse ao seu lado e fizesse daquele lugar desesperançoso uma ludibrie cena de algo divertido o bastante para si.  Passou longos três meses a sofrer. Entretanto, nunca se queixou, apenas fez da minha vida o que realmente ela é...
Foram muitos os episódios que fizeram daquela situação angustiante um momento de descontração e gargalhadas e risos sem fim. Sem fim? Pois é, Deus sabe o que faz.
Ao leva-la, Deus sabia que deixaria saudades para um coração que pensa com carinho ao lembrar dela. Mas sabia que amadureceria cada dia mais essa semente que todos os dias aprende algo novo e coloca sobre a base que ganhou de sua querida AVÓ.
Não queria que fosse assim. Entretanto nunca me arrependi de nada. Faço jus ainda aos dias felizes que ainda me restam, sempre sorrindo, gargalhando, sendo feliz. Pois tive um ensinamento: "SORRIA, POIS NINGUÉM PODERÁ SORRIR POR VOCÊ!"

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