quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Manhãs incomensuráveis do mês de Outubro.


Manhãs incomensuráveis do mês de outubro proporcionam dúvidas sobre aquele jovem pianista de dedilhar único nas notas agudas dos sentimentos. O frio apenas lhe acolhia até metade de seu trajeto, desfazia-se sempre no mesmo cruzamento de avenida onde era esperado avistar seu atual desejo. Desejo de avistar naquela bagunça de horário de pico pelo trânsito o rosto que tanto lhe fazia sorrir e ao mesmo tempo pensar.
Manhãs incomensuráveis do mês de outubro proporcionam medos sobre aquele jovem escritor de pensamento único perante a sociedade que o rodeava. O medo era seu companheiro e sentava-se sempre no seu ombro esquerdo e a incerteza ao ombro direito, os dois sempre estavam a cochichar em seus ouvidos. Doces mentiras. Doce amargura. Entretanto, os fones de ouvido se tornaram a solução para adquirir coragem e confiança. 
Manhãs incomensuráveis do mês de outubro proporcionam sorrisos sobre aquele Observador* de visão apurada a tudo o que ocorre a seu redor. A manhã não é bela e nem caem folhas de outono sobre seu caminho. Infelizmente. Mas os caminhos são opostos, ele sobe todos os dias rumo à escola e seu futuro amor desce sem nem ao menos poderem trocar olhares por conta da pressa de ambas as partes. 
Manhãs incomensuráveis do mês de outubro fazem do cachorro labrador preto da esquina onde passam, um aliado a essa triste realidade. O cachorro sabe bem o que os dois sentem, pois todas as vezes que ocorre tamanha distanciação de ambas as partes ele apenas deita-se sobre suas patas dianteiras e observa atentamente se alguém cederá pelo menos alguma vez. E ninguém até os dias atuais cedeu. Como sabe? Pois o cachorro até os dias atuais nunca demonstrou alegria, nem muito menos balançou o rabo. Apenas continua debruçado sobre as patas dianteiras. 
O pianista/escritor/Observador* continua vivendo suas manhãs incomensuráveis de outubro, mas espera que o frio o acompanhe não só até o cruzamento onde se encontram, nem que seu fone de ouvido deixe de funcionar e que o medo e a incerteza possam opinar, que talvez algum dia por descuido ou pura paixão possam trocar olhares e que o labrador preto venha a se alegrar.

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