quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Convenhamos, eu sou escritor, não preciso ser normal!

"Eis que a reciprocidade do ser era constante e ao mesmo tempo de nível intelectual o suficiente para fazerem da situação inoportuna um manjar de sentimentalismo. Eis meu pseudônimo!" - Christopher Duarte.


Sozinho, acuado, recolhido e ao mesmo tempo inspirado para poder compor mais um de seus textos incompreensíveis pela sociedade e aqueles que o rodeavam. Assim se fazia a situação, tudo era bem elaborado em sua mente e as ideias simplesmente fluíam como um rio que deságua em um mar imenso e sem fim. O Observador sem sombra de dúvidas era o seu único e mais admirável pseudônimo, pois era aquele que escrevia sem medo a situação e com palavras complexas o bastante para serem interpretadas por quem fingisse interesse. Era profundo e ao mesmo tempo necessário adentrar no universo da escrita para poder entender o que aquele escritor e seu pseudônimo gostariam de transmitir como mensagem. Porém, era um lugar vasto e ao mesmo tempo vazio, suas citações ficavam voando pelos ares e seus possíveis projetos de livros estavam encriptados no chão.
Convenhamos que a sociedade e os que o rodeavam eram completos críticos de suas obras e de seu "alter ego" até o momento pouco apresentável, digamos que todos traziam em sua mente aquele pensamento: "A sanidade passa longe desse ser" ou até então: "Que Por** é essa?". Entretanto, ignorar era seu escudo e fingir que ouviu tudo e que seguiria nos conformes era seu modo de fazer os demais se sentirem tolos, pois no dia seguinte ou no exato momento estaria se atirando ao seu mundo literário e deixando de fora os incompreensíveis. E dos comentários mais rudes e as vezes agressivos ressoava ao longe aquele clichê: "Ele é estranho!" ou até mesmo como conselho aos filhos: "Nunca seja assim!".
Pois bem, os normais são pessoas que seguem o padrão da sociedade, levantam cedo, vão trabalhar, retornam e dormem. Os ANORMAIS são aqueles que querem criar algo, querem inventar um mundo novo, querem fazer da vida um mundo melhor, visto que só há destruição no mundo em que vivemos, basta ligar a TV para assistir as barbaridades que nos rodeiam. Se ser anormal é criar algo que lhe faça bem e não cause mal algum aos outros e as vezes até bem estar aos que apreciam sua arte, prefiro ser anormal. Aliás, quem nos intitulam somos nós mesmos, os demais apenas criam comentários vazios para fazer você não se sentir bem. Tudo é uma questão de ponto de vista.
Retomando, o pseudônimo de minha pessoa não é nenhum bicho de sete cabeças e nem muito menos um ser demoníaco que resolveu fazer morada ou estadia em meu corpo, mas apenas um estado de paz que imponho entre eu e a adorável escrita. Mas mesmo assim, se faz recíproco.
No mundo atual um livro é jogado na lixeira como se não fosse nada e as banalidades são guardadas com o maior cuidado possível, essa é a realidade. Não vejo a escrita como uma perda de tempo ou como um refúgio da realidade, vejo apenas como um modo normal de ser eu. Convenhamos, sou escritor, não preciso ser normal! Eis que O Observador faz-se de acordo, que assim seja. Escreverei-me-ei!"

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