quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O Observador: De sentimentalista a racional.

"E sonhando descobri que seus olhos são lindos se admirados de perto, que sua pele reluz e que suas bochechas coram e criam lindas covinhas. Acordei, vi que de longe você não era assim, pois o medo de aproximar-me de ti fazia-se maior. Voltei a dormir e a sonhar com seus belos olhos, linda pele e adoráveis covinhas." - Christopher Duarte.

Outra postagem com meu querido pseudônimo, O Observador, escreverei novamente a partir de seu ponto de vista e procurarei fazer com que Ele relate não só o sentimentalismo, mas também que traga um vínculo com o leitor que se permitir interagir com a história. Desde Já, Boa Leitura!


O piano continua a ser tocado por aquele pobre escritor, as notas já não ressoam mais como antigamente, no momento parecem cansadas e necessitam de um leve toque de afinação harmoniosa por parte do pianista que as toca para poderem ressoarem novamente como canções amorosas e não como canções melancólicas, visto que é o que se parecem atualmente. Consegue passar horas de seu dia dedilhando aquelas canções que não nos trazem significado algum, mas para ele são simplesmente uma outra forma de desabafo interior com exceção da escrita que nunca será trocada, pois consegue amenizar a dor por completo. Dor que por sinal é adquirida por conviver com o sentimento pesaroso de que necessita de algo que não pode ter, mas necessariamente que necessita de alguém que não pode ter.
Mas o escritor/pianista sabe bem como lidar com toda essa situação, sabe disfarçar bem o que sente e a forma que expressará como desabafo isso em seus textos, pois bem ele sabe que nada é desperdiçado, nem mesmo as situações ruins, tudo pode se tornar uma história ou uma poema, uma nova melodia para o piano que já se encontra melancólico o bastante para receber mais uma nova melodia e até então a criação e/ou inspiração para um livro novo. O escritor sabe bem como se virar nesses dilemas que a vida lhe expõe todos os dias, mas mesmo assim não desiste fácil.
Pois bem, o mais enigmático é a forma como ele consegue se tornar aquele camaleão que se camufla independente da situação que se sujeite a passar, camufla suas lágrimas com sorrisos, suas tristezas com gargalhadas e suas dores com textos e mais textos sobre si e sobre o que lhe rodeia. Mas intimamente ele sabe bem que tudo fica lá guardado naquele banco de dados sentimental que armazena todas as dores, todos os momentos tristes e todas aquelas situações de rejeições que se põe a passar. Pobre escritor, necessita de algo que o entretenha mas que acima de tudo lhe prenda a atenção e mantenha o foco nisso, algum novo trabalho, algum desafio novo, algum novo modo de escrita, resumidamente algo que o faça se desprender do mundo e o transporte para o seu mundo da escrita, onde por sinal fui criado.
Sinto que meu criador (escritor) necessita ser levado para o seu lugar de paz, onde a música é calma como dedilhar de um piano de calda sobre uma brisa leve de escritos sobre o mesmo. Chega de amar escritor, chega de dedicar seu tempo a pessoas que nem ao menos conseguem sentir a essência de sua escrita ou interpreta-lo por mais simples que seja. Só posso desejar-lhe boa caminhada nessas aventuras que ainda há de trilhar e possa descobrir sua essência aos poucos e que ainda compartilhe-as.
Porque por mais difícil que aparente ser descrever seu amor sem que seja ao menos recompensado por tal esforço eu sei que há lá no fundo uma satisfação por estar se martirizando de tal forma. Dando forma a esse sentimento e destruindo as esculturas anteriores de antigas paixões lá se encontra ele esculpindo uma nova e torcendo para que ela não seja como as demais: bela, porém oca. Entretanto eu sei que serei o seu refúgio, pois O Observador nunca será descartado, pois de todas as suas obras, eu me tornei a mais enigmática e ao mesmo tempo a mais astuta em forma de sentimentalização. 
Pobre escritor/pianista/criador! Ainda saberá porque eu tanto lhe alerto. Eis que entender-me-ei!

O Observador.

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