domingo, 23 de fevereiro de 2014

Thews, adorável sociopata sentimental! (CONTO) - Continuação.


Pois bem, não nego que os primeiros dias na escola cursando o supletivo foram fáceis para Thews. Após três longos anos parados sem frequentar a escola, voltar ao ritmo não seria nada fácil, mal conseguia pegar em um lápis e escrever novamente. Mas seus objetivos estavam a frente de qualquer dificuldade que viesse aparecer pelo caminho, e seu sonho de se tornar um jornalista não poderia ser esquecido apenas por um pequeno detalhe que seria o de terminar os estudos. Mas assim fez, trabalhava durante o dia e a noite estudava, era cansativo e ao mesmo tempo um grande desafio. Não desistiu e continuou estudando.

Conseguiu terminar o ensino médio em um ano e já tinha em mente seu próximo passo a ser dado, começar um curso superior. E já sabia muito bem qual curso superior queria cursar, JORNALISMO. Iniciar na faculdade também foi outro desafio, pois teria que conciliar o tempo que trabalhava com o tempo que iria estudar, não seria muito diferente do ano que cursou supletivo, mas a faculdade exigiria um pouco mais de dedicação por parte dele. Mas da mesma forma não se deixou abater e enfiou a cara nos livros para estar sempre em dia com a matéria e poder estudar.

Na faculdade de jornalismo adorava as aulas de comunicação social, pois o professor era bem extrovertido e fazia com que todos compreendessem bem a matéria por meio de gestos e algumas brincadeiras para interagir com os alunos. Foi então que conheceu Christiane - moça robusta, cabelos negros longos encaracolados, olhos castanhos e uma personalidade incrível, - na faculdade, ela cursava o mesmo curso que ele mas estava sempre envolvida com os estudos e não interagia muito com o restante da sala, apenas estava interessada em estudar e não em fazer amizades. Mas desde então, Thews colocou seus olhos nela e esperava que de alguma forma Christiane começasse a notá-lo também. Ele achava-a adorável. Deixava bem explícito que estava gostando dela por meio de olhares e se mostrar sempre prestativo à ela. No entanto ela sempre negou a ajuda do mesmo e nem muito menos respondeu aos olhares. Um sentimento que o castigava muito por dentro.

Mas o amor no momento não estava sorrindo para Thews. Sempre ao deitar-se na cama do quarto que havia alugado, lembrava-se de Christiane constantemente, mas também lembrava de seus pais. Não que eles fizessem falta à ele, mas gostava de relembrar os poucos momentos que haviam passado juntos. Lembrava principalmente que a cada ano que se passava seus pais estariam envelhecendo também e que necessitariam de alguém para poder auxiliá-los quando apresentassem uma idade mais avançada. E a cada minuto até pegar no sono, era invadido por lembranças e pensamentos dos mais distintos possíveis.

Voltando a história de amor, Thews estava apaixonado por Christiane e em nenhum momento era correspondido por ela, uma mágoa grande se formou. Gostaria de estar ao lado dela e poder desfrutar de sua companhia, apertar em suas mãos aqueles cabelos negros trazendo-a para perto de ti e beijá-la. Mas ela não pensava o mesmo, queria apenas estudar e manter-se afastado de tudo e de todos. Resumindo, o curso de jornalismo terminou e Thews continuou só, não pensava em mais ninguém para poder desfrutar de sua companhia e de seu amor do que Christiane. O destino os separou, mas Thews ainda pensava freneticamente nela. Entretanto, essa grande falta de poder desfrutar da companhia dela, mesmo ela não retribuindo tamanho apreço que ele tinha, fez com que Thews voltasse sua atenção para outras coisas, uma delas seus pais.

Thews estava com vinte e cinco anos e com um diploma em mãos, mas ainda via-se sem rumo. Foi quando teve em mente a ideia de procurar seus pais e ver como estavam, ver se necessitavam de algo, ver o que havia mudado. Mas acima de tudo começar a se entender melhor, pois sentia dentro de si um vazio, um sentimento ruim e ao mesmo inexplicável. Mas por fim de tudo resolveu não ir. Quis guardar seus sentimentos e seus momentos vividos apenas para si, pois um sociopata sentimental sabe como agir, como matar seus sentimentos e matar suas emoções. Em sua mente tudo funcionava arriscadamente, tudo precisava ser reconstruído e não compartilhado.

Ele desistiu do amor e seguiu sua vida. Mas você me pergunta: E o final feliz?

Nem tudo tem final feliz, ou melhor, voltaremos aonde parei: Hoje Thews tem 27 anos, jornalista, leitor assíduo e um amante das manhãs de frio de Findal.

E você insiste em me perguntar: E o que ocorreu com o seu amor?

Como já disse, nem tudo tem final feliz. Thews não amou mais ninguém, pois em seu coração havia um sentimento maior que destruía qualquer outro que pensasse em nascer, e ele se chamava "Christiane". Por mais que o tempo passasse ele sempre teria ela ali dentro, a menina de cabelos longos negros encaracolados, de silhueta fina, ombros delicados, pele suave, voz quase silenciosa, olhos castanhos (mas com um brilho intenso) e que acima de tudo era a dona daquele coração. E ele se sentava todas as manhãs naquele banco de praça para ler seus romances europeus, pois agora viveria cada caso de amor com os livros, mas pensando em Christiane. E a cada capítulo olhar ao seu redor e ver se ainda conseguiria ver sua linda fisionomia sentada ao centro da praça estudando novamente.

E você ainda insiste: Esse é o fim?

E por fim eu te respondo: "A contra posição do amor é o seu próprio lado oposto." - Christopher Duarte.

Espero que entendam, mas que acima de tudo sintam como seria estar no lugar do "Sociopata sentimental", creio em meu particular que um fim para história encerraria o legado de pessoas na mesma situação.

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