sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

"It's okay not to be okay" (Tudo bem não estar bem).

"E foi vivendo de reticências que aprendi a colocá-las entre parênteses e ignorar esse pedaço da vida." - Christopher Duarte.


Sento-me para escrever, TOC reconfortante me fazendo escolher a formatação do texto com antecedência, dedos ligeiros no teclado ilhado fazendo com que o som soe como uma máquina de escrever (parece que estou a datilografar), pensamentos com idas e vindas repentinas e sentimentos esvoaçantes pelo peito, um pouco de Eliane Brum e John Green sobre a cama e alguns leves trechos de Machado de Assis impressos sobre a estante, um início de noite perfeito para tomar um chá de erva doce e silenciar no texto alguns sentimentos que gritam aqui dentro pedindo incessantemente para serem ouvidos, mas hoje novamente ficaram a mercê e não serão escutados, um pouco de música suave e por fim um leve aroma de sofisticação disciplinar própria para não perder a cautela quando redigir, maldito TOC.
A semana trouxe-me clareza, em especial a semana passada, um pouco de R. Limongi França estava sendo o meu almoço intelectual antes do fim das tão merecidas férias que se encerram na segunda-feira, infelizmente. Pois bem, comecei a ler textos e dedicatórias passadas, o incrível em reler é que alguns detalhes ficam mais destacados e vistosos quanto mais você os lê e se dedica a entender quem os escreveu. Pura ironia querer usar como exemplo Fernando Pessoa no trecho passado, quanto mais o leio mais perdido fico, talvez essa tenha sido a sua essência ao se dedicar a escrever, ou talvez eu esteja errado, de qualquer modo não é um escritor que eu indicaria. Por fim, consegui ver em dedicatórias feitas a mim que meu mundo da escrita tem toques de melancolia e ao mesmo tempo uma controversa de muito amor e sentimentos, maldito Eu lírico.
Controversas à parte, sussurros de sentimentos em meus ouvidos pedindo para serem escutados, para serem usados e criptografados no papel, para serem entendidos somente por quem realmente se interessar, assim se fazem serenos, assim se fazem doces. Entretanto não é a medida da escrita que os compõe, mas quem se deixa levar a entender que as palavras são usadas milimetricamente para fazerem sentido, para te trazer ao mundo da escrita, para te fazer entender que palavras não são apenas palavras. Que escritores não são apenas escritores. "It's okay not to be okay", não somos seres de ferro que se contrapõem a enfrentar tudo e a todos sempre, podemos desabafar, maldito lado humano.
É excêntrico, belo, confuso, perfeito, horrível, trágico, constante, legal. É meu texto, meu sentimento, minha vida, meu dom, meu tempo, minha destruição. É Eu lírico, é O Observador, é sereno, é forte, é trágico, é quieto. Sempre será o que eu quiser quando terminar de escrever, posso estar bem, posso estar triste, posso estar sem inspiração, posso estar mal, mas sempre eu serei o dono do fim, o ponto final. Posso terminar em prantos e quando alguém ler nem ao menos poder identificar que houve melancolia em cada parágrafo, em cala linha, em cada expressão, em cada vírgula. Apenas me sobrará o consolo próprio: "I'ts okay not to be okay".

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