quinta-feira, 4 de junho de 2015

EU cativo, TU cativas, NÓS vivemos!

"Gosto da palavra: 'talvez' e das suas inúmeras brechas para um provável desfecho de um acontecimento futuro. Gosto da palavra: 'priori' e da sua relutância imensa a se prender ao início, ao primórdio de tudo. Gosto da palavra: 'piegas' e seu vasto leque excessivamente sentimental. Gosto de palavras, gosto das brechas que interpomos entre nosso entender e o conceito. Gosto de imaginar que nosso entender nunca estará errado se interpretado com excessivo sentimento, com primórdio e inúmeras brechas para um provável desfecho". - Christopher Duarte.


Sempre me senti cativado por coisas simples relacionadas a escrita, música ou criatividade. Valorizo uma carta manuscrita, rabisco por cima da palavra quando se erra, desenhos atrelados a carta e letras iniciais de frase desenhadas. Admiro uma simples melodia suave tocada no piano apenas com a mão direita próximo ao C (dó) central. Fico compenetrado com pessoas criativas, que gostam de criar, inovar, surgir com um diferencial, querer mostrar que inovação é sempre bem vinda, mesmo que não aprovada pelos demais, mas enfim, pessoas realmente criativas, visando que o reconhecimento nem sempre será consequência de um trabalho árduo.
Sempre me senti cativado por pessoas de bom humor e que nos fazem rir repetidamente sem nos dar aquela leve pausa entre um respiro e uma gargalhada de uma piada anterior contada. Reunindo-se com os amigos para contar causos engraçados e entre um brinde e outro desde álcool até mesmo um suco natural, gargalhar porque o tão esperado "tim tim" das taças/copos/xícaras não soou como o esperado. Dentre tudo isso até se reunir para chorar as mágoas juntos e poder olhar que no fim do horizonte sempre haverá uma esperança, se não houver, apenas ligar o "FODA-SE" e seguir a vida conforme o desejado.
Sempre me senti cativado por escritores de plantão, que não tem hora e nem minutos para dar asas a imaginação, que se sentem no dever de impactar no papel/blog/notebook sua mirabolante inspiração que surgiu e não poderia deixar que simplesmente sumisse como uma leve brisa que carrega folhas. Escritores que escrevem poemas sem regras de linhas, versos, rimas e até quando transformam o mesmo em prosa - como uma lagarta se transformasse em uma borboleta. Textos sem nexos, mas com sentimento e parte da vida do escritor inserida, escrevendo apenas para poder impactar o que se fez necessário.
Sempre me senti cativado por mim mesmo. Priorizando o dever de impressionar e criar laços comigo, com meu "Eu lírico", com meu pseudônimo (O Observador), com meu lado poeta e meu lado músico com o piano. Porém, a vida muda, ou melhor, você se adapta a vida e percebe que ser uma lagarta buscando pura "indivinação" própria, não é a melhor forma de se dar sentido a esse grande palco que atuamos todos os dias chamado vida. Onde brincar que sua cara metade não existe, que sua panela na verdade é uma frigideira, que sua metade da laranja virou suco e afins, permitindo que nosso tempo de ensaio em cima do palco seja maior do que nosso tempo se dedicando a acender os holofotes e simplesmente encarar o público.
Sempre me senti cativado pela escrita, por música, por criatividade, por pessoas de bom humor, por mim e muitos outros fatores que são acrescentados a cada passo ao longo dessa vasta caminhada. Até que você se apaixona, começa a gostar, se dispõe a amar e por fim a viver por isso. Não que seu palco seja desfeito, mas você começa a entender que entre A, B e C nunca houve um nexo maior do que abandonar os holofotes, dar as costas pro público e brilhar ao lado do que antes você afirmava nunca ter sido sua "cara metade", nunca ter "a tampa da panela", nunca achar a "metade da laranja"...
Enfim e não menos importante: "Deixe-se cativar! Eu deixei... e agora definitivamente estou VIVENDO!"

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