sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Momento: making off lírico.

"Nas madrugadas me sento para escrever, turbilhões de ideias aparecem durante o dia e como um rápido insight somem repentinamente, altas horas no relógio e um tic tac incessante sem nenhum outro ruído a se manifestar se não o som do teclado ilhado do netebook. Não é poético, mas é real" - Christopher Duarte.


Pré-texto; momento: making off lírico.
Ainda me coloco contra a parede quando necessito dar um tempo para mim mesmo, não que uma sessão de auto-mutilação de perguntas sobre como estou agindo possa me regenerar interiormente e fazer rir após essa longa consulta com um psicólogo Eu lírico próprio ou um pseudônimo intitulado como O Observador. Nem uma longa ladainha de frases de auto ajuda acompanhadas de provérbios motivacionais fariam com que o escritor pensativo/triste voltasse a seu estado/padrão de "normalidade" (se é que podemos aspar assim). Apenas tempo. Sim, o tempo cura tudo, acalma a alma, traz paz, faz brotar um sorriso em um rosto triste, faz uma noite brilhar ao sol do amanhecer. 
- E a auto-mutilação de perguntas? - Eu lírico.
- Qual? - Escritor.
Sim, definitivamente, o tempo cura tudo.


Texto; momento: making off lírico.
- Qual a relação disso tudo? - Eu lírico.
- Pois bem... Nenhuma - Escritor.
Não é de hoje que escrever se tornou uma das minhas maiores paixões para se ocupar no tempo livre, mesmo passando madrugadas em claro digitando um conto, poema, crônica, pensamento e afins para terminar de ler e saber que está de alma limpa por ter novamente criado. Não é de longe que passa em minha mente a ideia de poder viver da escrita, poder criar, poder deixar para as pessoas algo palpável para poderem ler sempre que sentissem a necessidade de desvendar um pedaço da minha obra ou até mesmo de entender um pensamento lírico de um escritor.
- Por que não viver da escrita, por que não recorrer a mim sempre que necessitar a escrever? - Eu lírico.
- Pois é - Cabisbaixo (mesmo sabendo a resposta) - Mas acredito que tudo acontece ao seu tempo.
- E então? - Eu lírico.
- O quê? Não entendi - indagou o Escritor.
- Qual o texto de hoje? Qual o conto, poema, narração? - pensativo Eu lírico continuou: - Não iremos desbravar nenhuma ideia ou um oceano da imaginação juntos?
- Querido Eu lírico, hoje não, hoje não! - Abrindo um largo sorriso e pondo-se a caminhar em direção a porta.
- E então? - Novamente indagou o Eu lírico sem entender.
- Você já entendeu, só quer me fazer pensar e acredito que uma dose de realidade hoje não me caia mal.
- E a escrita? Ou até mesmo os pensamentos que precisam ser escritos, e.. e.. e.. - Gaguejando entre as palavras prosseguiu: - E eu?
- Querido Eu lírico, volto a dizer, hoje não! - Escritor começando a sair pela porta ouviu mais um lamento.
- E o que faremos? - disse Eu lírico em alto tom com expressão exausta.
- Qual a finalidade da escrita? Expor ao exterior o que o interior sente, impactar no papel uma lembrança, um sentimento, um som, algo necessário. - Deu de ombros e saiu.
- E por que não faremos isso? - disse o Eu lírico.
Voltando a porta e com uma das mãos no batente o Escritor suspirou fundo e finalizou:
- Hoje não escreverei. Hoje não quero escrever. Haverá ideias gritando para serem usadas, haverá utopias em mente querendo serem impactadas no papel, haverá contos surgindo igual novas nascentes, mas mesmo assim haverá os insights onde sumirão com a mesma sutileza que surgiram. Então, hoje não.
- Não entendi - fez-se de desentendido novamente o Eu lírico sentando em uma das cadeiras.
Escritor deu de ombros e saiu a dizer:
- Você pode não entender ou até mesmo fingir que não entendeu, mas é nítido que hoje não irei escrever. Não é poético, mas é real.

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