terça-feira, 30 de maio de 2017

Do avesso

Vamos insultar quem não tem autoconfiança. Por que manter acesa a chama de esperança de alguém que não acredita em si próprio?
Vamos dar uma arma ao suicida. Por que privar de morrer quem não deseja estar entre nós desfrutando da vida?
Vamos empurrar a senhora que está andando na nossa frente vagarosamente. Por que ter paciência com alguém que está nos atrasando na correria do dia a dia?
Vamos? Vamos! 
Por que? Porque... (E faltam-lhe palavras).
"Meu Deus, já não basta eu perder tudo o que tenho, estar desolado aqui sem ter o que comer, por que ele ainda me insulta?" - Disse o pai de família aos prantos enquanto pedia o que comer, pois perdeu tudo o que tinha em um deslizamento de terra.
"Eu não vejo razões para sorrir, tudo está tão cinza, seria bom uma palavra amiga. Por que desistiram de mim e agora me oferecem uma arma e a morte como opção?" - Disse a jovem que está tentando superar uma depressão.
"O doutor me disse que logo eu ficaria boa, que essa operação no joelho seria logo cicatrizada. Por que eles sempre me apressam e quase me derrubam?" - Disse a senhora que trabalhou sua vida inteira de sol a sol na roça.
Vamos um dia acordar DO AVESSO, deixar o mundo ver nosso lado frágil, nosso ponto fraco, nossos dilemas, nossas decepções. A armadura do dia a dia nos torna frios, talvez menos solidários do que deveríamos ser. Talvez menos afetuosos do que deveríamos transparecer. Talvez, só menos humanos...

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