quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Thews, adorável sociopata sentimental! (CONTO)

O dia estava nublado e as nuvens que encobriam o céu estavam sendo iluminadas no horizonte por uma pequena fresta de sol, o que fazia daquele dia um dos mais adoráveis para Thews - rapaz robusto, loiro, sorriso largo no rosto e uma personalidade "adoravelmente  a ser investigada"-, passava suas manhãs de domingo na praça lendo sempre um bom livro de sentimentalismo europeu com um leve cappuccino de acompanhamento para os dias gélidos daquele lugar, Findau. E assim passava sua manhã, lendo, tomando cappuccino e entre as trocas de capítulo à observar ao seu redor o que as pessoas que ali estavam faziam para se entreter naquela manhã gelada e ao mesmo tempo adorável. Alguns corriam de um lado para o outro com suas bolas de futebol, outros brincavam com os pássaros que ali pousavam para se alimentar das sobras que as pessoas deixavam cair no chão, outros até se sentiam melhor sair do conforto e da comodidade que haviam em casa para se sentarem naqueles bancos frios da praça apenas para "jogarem conversa fora" e há aqueles que saíam de casa apenas com a intenção de sentar-se e poder ler um bom livro e tomar cappuccino. 
Thews morava só, abandonou os pais quando adolescente e pois se a trabalhar para poder se sustentar, de início dormia sobre um monumento de um escritor literário que se encontra até hoje na Praça da Escrita, tudo para não ter que ficar abrigado em uma casa de menores onde exigiam tudo o que lhe pediam em casa. Com 19 anos conseguiu alugar um lugar para morar, visto que ficou desde os 16 anos na rua, o lugar contia apenas um quarto e banheiro, mas para Thews estava ótimo, ele queria apenas um lugar para poder se proteger do frio e do calor excessivo que as vezes faziam em Findau. E finalmente conseguiu, pelo menos agora teria um lugar para descansar sua cabeça e poder andar na rua como uma pessoa arrumada, e não como andava antigamente - sujo, com roupas rasgadas, cheiro indesejável e uma velha mochila nas costas, onde guardava todos os seus pertences. 
Começou de início trabalhando fazendo pequenos trabalhos por conta própria (bicos), trabalhava carregando caixas pesadas para os donos de supermercados, ajudando nos salões de cabeleireiro varrendo o cabelo que caía no chão, distribuindo jornais e outras coisas, porém, seu sonho era se tornar um jornalista renomado e poder apresentar telejornais iguais ao que via serem apresentados pela vidraça da loja nas imensas tevês de mostruário. E nunca desistiu desse sonho, sempre esteve quando mais novo a se sentar de frente as vidraças e ficar observando atenciosamente cada movimento dos apresentadores renomados de telejornal para depois poder imitá-los sob o monumento que dormia um pouco antes de deitar-se. Deitar-se sobre um fino papelão encontrado no meio do lixo e com um cobertor esburacado e em péssimas condições. Mas apesar dos apesares, seu sonho nunca esmorecia, pensava sempre que todos deviam começar do mais baixo possível para lá na frente poderem colherem os frutos de imensa dedicação no passado. 
O fato interessante era a situação que o levou a sair de casa e se submeter a dormir sob o relento. Filho único e portanto o mais cobrado sobre qualquer situação que viesse a tomar, se tornava sempre o alvo das atenções da casa, mas isso enquanto novo. Pai, psicólogo e mãe, professora formada em letras, tinha tudo para viver em um ambiente familiar estável, mas os dois de ambas as partes passavam longas horas trabalhando e dedicando o pouco tempo que tinham fora do horário de trabalho a seus afazeres e coisas importantes, ou seja, o pobre menino (Thews) via-se obrigado a passar longas horas do dia só a companhia de seus jogos e brinquedos eletrônicos que lhe serviam de artifício para esquecer a ausência constante dos pais. Mas mesmo os pais estando ausentes, sempre que podiam estavam cobrando de Thews o necessário e o desnecessário, queriam que ele pudesse com tão pouca idade tomar conta de si próprio, correr atrás de seus objetivos e estar sempre com tudo em ordem, como se realmente fosse um adulto. O que de certa forma se tornou um grande fardo ao menino. Que decidiu sair de casa ao ter que encarar os pais brigarem sempre por coisas tolas e aturar as exigências constantes por parte dos dois. 
O que no início tornou-se algo muito difícil, se escondia constantemente de conhecidos e de carros de polícia que avistasse ao longe para não ter que voltar ao mesmo lar que residia. Até então pouco sabia o que queria ser da vida, eis que uma luz surgiu e um brilho brotou nos olhos do menino: queria ser jornalista, poder relatar as situações do dia a dia e sobretudo dar sua opinião sobre o assunto a ser mencionado. Ali nascia a paixão pelo mundo jornalístico e suas diretrizes. Retomando, com 19 anos morando nesse lugar pequeno que conseguiu arrumar e que o pagava com o dinheiro que conseguia dos (bicos) surgiu-lhe o desejo de retomar a escola, que até então havia abandonado no segundo ano do ensino médio para poder cursar um ensino superior e poder concretizar seu sonho. Assim fez, trabalhava durante o dia e começou a estudar no período noturno. Cursava o supletivo e em um ano conseguiria terminar os 2 anos que lhe faltavam para concluir o ensino médio.
(...)
Hoje Thews tem 27 anos, jornalista, leitor assíduo e um amante das manhãs de frio de Findal.

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Então, ofereci apenas metade da história para saber se os leitores gostariam de uma continuação. Mas como alguns já me disseram que gostariam de uma continuação, em breve postarei o resto que falta. :)

      Excluir