terça-feira, 2 de setembro de 2014

Shut up mind! Shut up! (Cale-se mente! Cale-se!)


"Olhares, gestos, fisionomias, dizeres, enfim, uma infinidade imensa de certezas incertas." - Christopher Duarte.

-Você sabe bem do que precisamos! - Mente - Pode negar tal alegação. Porém, sabe bem do que precisamos. 
Observei ao longe aquela pequena iluminação que vinha aumentando e fazendo com que o contraste nas árvores e ferros diagonais da ferrovia se iluminasse 'amareladamente'. O som não costumeiro e até mesmo um tanto enjoativo, fazia com que a roda metálica e a linha de trem se chocassem e o atrito trouxesse não quietismo do ambiente em que me encontrava.
As portas do vagão do trem selecionado costumeiramente à dedo (penúltimo vagão, terceira porta) faziam daquela rotina semanal uma breve alegação a mim mesmo do que é necessário hoje para se ter um futuro brilhante lá na frente. Frases de auto ajuda jorrando do livro que se encontrava na minha bolsa e saltando aos meus ouvidos: "Você colhe o que você planta; nunca desista, dias ruins existem para você dar valor aos dias bons" - e aquele blá blá blá blá de sempre que eu mesmo já costumo impor sobre mim mesmo - pois bem, sentar no banco do vagão, não necessariamente escolhido, pois o hábito (TOC) não me impôs essa condição AINDA. Apenas procurar um lugar que se encontre próximo à minha amiga que me acompanha todos os dias e me incentiva a caminhar.
- Você sabe bem do que precisamos! - Mente.
O caminho discorre um pouco da velha e sombria monotonia de sempre que é esperar o trem, escolher o vagão, a porta, e o lugar para se acomodar na estação até que o trem se aproxime inquietando tudo. 
Olhares incertos de ambos os lados da ferrovia, dizeres sussurrados ao pé do ouvido do velho amigo ao lado, gestos indiscretos e minuciosos da velha e cansativa didática não escolar de alguns alunos, popularmente dizendo, uma situação inconvenientemente imposta para que eu suporte todos os dias. Para que não desista e ouça o sussurrar do livro de auto ajuda.
- Você se lembra do que necessitamos? - Mente - Você está me ouvindo, sei que está!
Olhares trocados com estranhos em torno do vagão, correspondidos ou não, nem é essa minha intenção. Apenas quero sentir que estou vivendo e o que estou fazendo possa talvez não deixar um legado, mas possa dizer a mim mesmo (mente) o quanto eu sou forte e posso resistir.
- Ei, você sabe do que precisamos! - Mente.
Cale-se mente! Cale-se! Certos pensamentos não devem ser compartilhados. Certas emoções não devem ser exibidas. Certos dizeres devem ser preservados. Cale-se mente! Cale-se! Hoje eu te calo, para que amanhã você não venha me calar.
"Você tem uma mente brilhante" - os demais dizem, porém, se soubessem que todo esse brilho à ofusca e a faz tomar certas decisões precipitadas ou até mesmo deixar de tomar uma decisão, retirariam o já dito elogio.
- Você sabe do que precisamos? - Mente.
- Sim eu sei. De muito amor próprio e algum carinho de outrem que não seja pedido, implorado ou comprado, aliás, que seja doado, emprestado, presenteado. Até conseguir o feito, cale-se mente! Cale-se!

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