sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Licença poética

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"Apenas comunico a eles que sei escrever o que sinto, não o que mandam. Apenas resenho ao papel o que traduz, não o que traz incógnitas. Apenas escrevo por ter que escrever, não porque querem que eu escreva" - Christopher Duarte.

Acredito que hoje seja uma daquelas madrugadas que o sono se torna escasso e a imaginação transborda, não que as longas e frias madrugadas sejam feitas para criar ou até mesmo para hibernar não se preocupando com o vasto mundo que há lá fora. Um vasto mundo que nos espreita pelas vielas escuras ou pelo simples olhar que beira uma janela sob a luz de uma fúnebre iluminação que segue de um corredor de uma casa rústica, nada a declarar.
Não é o silêncio que traz a inspiração para as longas horas em claro sob um céu escuro sem ressoar, nem muito menos longos minutos sobre uma água quente que escorre o seu corpo durante o banho e faz-te pensar nas alternativas incessantes do que declarar ou por no papel como necessidade de esvaziar-se por dentro com eu lírico gritante, liberdade de expressão.
Os dias seriam vastos se nada houvesse para preenchê-los, assim como um livro sem palavras ou um rio sem água, mas a comparação se torna distante quando consideramos que um escritor escreve apenas quando precisa expor o que sua alma não suporta mais carregar dentro de si. Sendo um livro que teria palavras apenas quando não aguentasse mais ser folheado em vão e um rio que só minasse água quando se cansou de ver sua margem rachar-se ao sol escaldante do meio-dia, doce realidade.
Quando o respirar deixar de ser implícito por tornar-se cotidiano, quando o piscar deixar de ser metáfora para flertes, quando o bocejar deixar de ser argumento para desculpas, quando as palavras deixarem de ter conceito para possíveis contradições, será quando um escritor deixará de fazer sentido para os leitores e ao fim da página ressoará como nota de rodapé que tudo é nada mais e nada menos que licença poética.

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